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Crimes econômicos

Polícia Federal usa conversas com o ChatGPT como indício contra investigada no caso do Banco Master

Histórico de perguntas feitas à IA pela namorada de suspeito preso na Operação Compliance Zero é analisado como elemento de prova

ConJur · publicado em 20/09/2026 · conversas de abril de 2026 ·edição de 20/09
Polícia Federal usa conversas com o ChatGPT como indício contra investigada no caso do Banco MasterRafa Neddermeyer/Agência Brasil

Resumo

A Polícia Federal encontrou, no histórico de conversas de Katherine Telles com o ChatGPT, mensagens em que ela comenta a apreensão de um carro pela corporação e questiona a IA sobre a identidade de um grupo de hackers. A investigada é apontada como namorada de David Alves, tido como líder do grupo "Os Meninos", preso na sexta fase da Operação Compliance Zero.

Contexto

A Compliance Zero apura um esquema de ataques digitais que teria sido movido a mando de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e já teve fases voltadas a familiares e a supostos operadores digitais ligados a ele. David Alves foi preso na sexta fase; Katherine Telles foi alvo de busca e apreensão.

Argumentos

  • Histórico de IA é tratado pela investigação como confissão extrajudicial informal, não como prova pericial formal.
  • O acesso ao conteúdo depende de cumprimento de medida judicial sobre os dispositivos e contas da investigada.

Fundamento

Segundo a reportagem, a Polícia Federal teve acesso ao histórico de conversas de Katherine Telles com o ChatGPT após cumprimento de medidas judiciais, e interpretou as perguntas feitas à ferramenta como indício de que ela buscava avaliar o quanto já era de conhecimento público sobre os fatos, inclusive sobre uma possível identificação dela no episódio.

Consequência prática

O material passa a integrar o conjunto de indícios da investigação sobre o grupo de hackers ligado ao caso Master, ao lado dos demais elementos já colhidos nas fases anteriores da operação.

Por que importa

O episódio ilustra uma frente ainda pouco pacificada no processo penal brasileiro: o uso de históricos de conversa com ferramentas de inteligência artificial como prova digital, com todas as questões de cadeia de custódia, autorização judicial de acesso e voluntariedade que a extração desse tipo de dado exige.

Próximos passos

  • Inquérito segue em aberto dentro da Operação Compliance Zero.
  • Defesa pode questionar a forma de obtenção e a interpretação dada ao conteúdo das conversas.

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