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PF mira núcleo familiar do senador Weverton Rocha em nova fase da Operação Sem Desconto

André Mendonça autorizou buscas contra a orientação do MPF, que defendia medida menos invasiva, com o argumento de evitar o perecimento de provas digitais

Agência Brasil, Correio Braziliense e Poder360 · decisão do STF · operação deflagrada em 04/08/2026 · decisão de busca e apreensão assinada por André Mendonça ·edição de 04/08
PF mira núcleo familiar do senador Weverton Rocha em nova fase da Operação Sem DescontoReprodução Agência Brasil

Resumo

A Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Sem Desconto, com 18 mandados de busca e apreensão cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão. A ordem, assinada pelo ministro André Mendonça, mirou a mulher, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, além do advogado Willer Tomaz de Souza e empresas ligadas a ele. A investigação apura lavagem de dinheiro associada a um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

Contexto

Segundo a Polícia Federal, Willer Tomaz de Souza funcionava como o núcleo financeiro, patrimonial e logístico a serviço do parlamentar, e a esposa do senador, Samya Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas ligadas ao advogado. A PF atribui a Weverton Rocha o papel de formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses e interferir em decisões patrimoniais da estrutura.

Argumentos

  • Para a Polícia Federal, a estrutura funcionava com Weverton Rocha determinando repasses e cobrando pagamentos, o que justificaria medida mais incisiva contra o núcleo familiar.
  • Para o MPF, a quebra de sigilo bancário e fiscal seria suficiente nesta fase, e a busca e apreensão contra parentes seria desproporcional sem indícios mais robustos contra cada um deles individualmente.
  • Para o relator, a facilidade de apagar provas digitais e a gravidade dos fatos narrados justificam agir antes que o alvo saiba da investigação.

Fundamento

O Ministério Público Federal se manifestou contra a busca e apreensão e recomendou medida menos invasiva, a quebra de sigilo bancário e fiscal, suficiente, na avaliação do órgão, para checar a origem dos recursos e as conexões entre os investigados sem a exposição de uma operação com mandado de busca. André Mendonça autorizou as buscas mesmo assim, sob o fundamento de evitar o perecimento de provas digitais, dada a facilidade de destruição desse tipo de material e a gravidade dos fatos narrados pela PF.

Consequência prática

Enquanto a apuração segue sem denúncia, a decisão amplia o núcleo de investigados para o entorno familiar do senador e reforça o papel do foro por prerrogativa de função: como Weverton Rocha tem foro no STF, mesmo atos contra terceiros ligados a ele passam pelo crivo de um ministro da Corte, não de um juízo de primeiro grau.

Por que importa

O caso ilustra uma tensão recorrente na advocacia criminal, a escolha entre medida cautelar mais grave, como a busca e apreensão, e alternativa menos invasiva, como a quebra de sigilo, quando o próprio órgão acusador recomenda a segunda e o relator opta pela primeira. A fundamentação em risco de perda de prova digital tende a se repetir em casos com estrutura financeira pulverizada entre parentes e terceiros.

Próximos passos

  • Análise do material apreendido nas buscas.
  • Decisão sobre eventual indiciamento, hipótese que ainda depende de manifestação da Polícia Federal e do MPF.
  • Manifestação formal da defesa do senador, ainda não localizada na cobertura consultada.