Estudo do CNJ mostra que flagrante por droga leva a mais prisão preventiva do que outros crimes
Levantamento de audiências de custódia entre 2019 e 2025 aponta prisão em 60% dos casos ligados a droga, contra 37,5% nos demais crimes
Reprodução Agência BrasilResumo
Boletim do CNJ sobre audiências de custódia mostra que a prisão em flagrante por droga converte-se em prisão preventiva com frequência muito maior do que a de outros crimes.
Contexto
O CNJ analisou cerca de 2,5 milhões de audiências de custódia realizadas desde janeiro de 2019, das quais 609.477 tiveram origem em flagrante por droga, o equivalente a 97% das audiências dessa natureza (ante 74% nos demais crimes).
Argumentos
- CNJ: a discrepância entre os índices "suscita reflexões sobre a própria efetividade da audiência de custódia" nos casos de droga
- CNJ: decisão de junho de 2024 do STF sobre porte de maconha para uso pessoal é citada como pano de fundo da discussão
Fundamento
Segundo o boletim, 60% das pessoas flagradas com entorpecentes tiveram a prisão preventiva decretada na audiência de custódia, contra uma média de 37,5% para os demais crimes no mesmo período. O documento também aponta desigualdades raciais e de gênero nos resultados e nota que audiências presenciais concedem liberdade provisória com mais frequência do que as virtuais.
Consequência prática
O dado reforça o peso da política criminal de drogas sobre o encarceramento provisório e é um argumento estatístico a mais para a defesa questionar, caso a caso, a necessidade concreta da prisão preventiva em audiências de custódia por tráfico.
Por que importa
É munição de origem oficial, e não de opinião, para a tese de que a audiência de custódia vem funcionando de forma menos eficaz como contenção do encarceramento provisório especificamente nos casos de droga.
Próximos passos
- O boletim anuncia estudo futuro sobre alegações de tortura e maus-tratos no momento da prisão em casos relacionados a droga