TSE se reúne nesta terça-feira para delimitar quando o conteúdo sintético vira deepfake proibida na campanha
A tendência é reiterar a vedação e uniformizar o critério: o problema não é usar inteligência artificial, e sim recriar uma pessoa para lhe atribuir fala, gesto ou manifestação que não ocorreu
Reprodução CNN BrasilResumo
O Tribunal Superior Eleitoral reúne seus ministros na terça-feira, 18 de agosto, para discutir o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026 e esclarecer o alcance das regras sobre deepfakes. O encontro foi remarcado pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, depois de a reunião inicialmente prevista para 13 de agosto ter sido adiada pelo prolongamento dos julgamentos daquele dia.
Contexto
A reunião é preparatória e serve para alinhar interpretação entre os ministros antes do julgamento de casos concretos que já chegaram ao tribunal. A tendência apurada é que os ministros reiterem a proibição do uso de deepfakes no processo eleitoral e busquem uniformizar o entendimento sobre quais situações se enquadram na vedação.
Argumentos
- Não está em discussão a proibição geral do uso de inteligência artificial nas campanhas.
- O elemento decisivo é a atribuição a alguém de manifestação que não ocorreu, e não a tecnologia empregada.
- A tendência é que a vedação alcance também o conteúdo que favoreça a própria candidatura do retratado.
Fundamento
O critério em discussão separa o conteúdo sintético permitido daquele que recria uma pessoa para atribuir a ela falas, gestos ou manifestações que não ocorreram. Pelo entendimento em exame, a inteligência artificial pode continuar sendo usada em situações que não representem manifestação falsa de uma pessoa, como inserir um candidato em cena claramente artificial, observadas as demais regras da Justiça Eleitoral.
Consequência prática
A tendência é que se considere deepfake proibida mesmo o conteúdo que favoreça a própria candidatura ou reproduza posição com a qual a pessoa retratada concordaria. Ou seja, o consentimento presumido do retratado não salva a peça: o que se protege é a integridade da informação que chega ao eleitor.
Por que importa
A fronteira que o tribunal traçar aqui vai além do direito eleitoral. Ela fornece o critério prático para distinguir sátira, montagem declarada e falsificação de manifestação, distinção que reaparece em imputações por calúnia, difamação e falsidade, e que hoje é decidida caso a caso sem parâmetro estável.
Próximos passos
- Acompanhar o resultado da reunião de 18 de agosto e a eventual edição de orientação formal.
- Verificar como o critério será aplicado nos casos concretos já em tramitação no tribunal.
Fontes
- Principal CNN Brasil