MPF denuncia organização criminosa por fraudes em importações no aeroporto de Fortaleza
A Operação Snooker aponta um auditor fiscal da Receita Federal como comandante do esquema, que teria movimentado mais de R$ 100 milhões por meio de empresas de fachada entre 2020 e 2025.
Reprodução MPFResumo
O Ministério Público Federal ofereceu duas denúncias decorrentes da Operação Snooker, que investiga uma organização criminosa dedicada a fraudes em operações de importação no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza (CE), entre 2020 e 2025.
Contexto
Segundo o MPF, o grupo era dividido em quatro núcleos, público, empresarial, financeiro e auxiliar. No centro do esquema está um auditor fiscal da Receita Federal lotado na inspetoria do aeroporto, apontado como comandante da organização: ele teria interferido em despachos aduaneiros e fornecido informações sigilosas de comércio exterior a importadores, em troca de vantagens indevidas estimadas em pelo menos R$ 6,8 milhões.
Argumentos
- O MPF sustenta que a hierarquia e a divisão de tarefas entre os núcleos caracterizam organização criminosa, e não apenas ilícitos isolados.
- Indícios de caráter transnacional, com contas e empresas identificadas nos Estados Unidos e nas Ilhas Virgens Britânicas, ampliam o alcance da investigação.
Fundamento
A denúncia descreve dois esquemas de fraude no núcleo empresarial, um de subfaturamento de joias declaradas como bijuterias e outro de subfaturamento de eletrônicos importados, além de um núcleo financeiro que teria movimentado mais de R$ 103,3 milhões por empresas de fachada para disfarçar o repasse de propina. Os crimes imputados incluem organização criminosa, corrupção, contrabando, lavagem de dinheiro e obstrução à investigação.
Consequência prática
A investigação já resultou no bloqueio de mais de R$ 26 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas envolvidas, na apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo, e na devolução de R$ 1,6 milhão usado na compra de um apartamento na Beira-Mar de Fortaleza. Um dos denunciados firmou colaboração premiada e outro, acordo de não persecução penal.
Por que importa
O caso ilustra como a atuação de um agente público em posição estratégica pode viabilizar fraude aduaneira em escala, e reforça o papel da colaboração premiada e da cooperação entre MPF e Receita Federal na identificação de núcleos financeiros que lavam recursos por meio de empresas de fachada.
Próximos passos
- A Justiça Federal no Ceará ainda vai decidir sobre o recebimento das duas denúncias.
- Segundo o MPF, outros investigados com participação menos relevante serão denunciados em ações penais separadas, à medida que a apuração avançar.
Fontes
- Principal Ministério Público Federal no Ceará