PF prende no Santos Dumont apontado dono de instituição financeira em esquema que fez idosa perder R$ 37 milhões
A Operação Criptoabate apura fraude com plataforma falsa de investimentos, e o preso responderá por estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa
Foto: Rafa Neddermeyer, Agência BrasilResumo
Em 14 de agosto de 2026, a Polícia Federal prendeu no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, um homem acusado de participar de esquema fraudulento que causou prejuízo superior a R$ 37 milhões a uma mulher de 70 anos. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Criptoabate, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul em 13 de agosto.
Contexto
Segundo as investigações, a organização usava a prática conhecida como pig butchering, o golpe do abate de porcos, em que os criminosos estabelecem relação de confiança com as vítimas por meio de mentorias e as induzem a investir em plataformas falsas com promessa de alta rentabilidade. O valor total das fraudes pode chegar a R$ 50 milhões. O preso é natural de Presidente Prudente e morador de Balneário Camboriú, e é apontado como dono de instituição financeira ligada ao esquema.
Argumentos
- A acusação sustenta a existência de estrutura empresarial de fachada usada para dar aparência lícita aos valores captados.
- A defesa costuma questionar a autonomia da lavagem quando a ocultação é mero exaurimento do estelionato, e discutir a competência entre Justiça estadual e federal.
Fundamento
A atribuição noticiada envolve estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A conjugação é típica desses casos: o estelionato descreve a obtenção da vantagem, a lavagem descreve a ocultação do produto e a organização criminosa descreve a estrutura estável e a divisão de tarefas.
Consequência prática
A operação foi deflagrada por polícia estadual do Rio Grande do Sul, com prisão executada pela Polícia Federal no Rio de Janeiro. A participação de instituição financeira e a movimentação interestadual de valores tendem a atrair discussão sobre competência, tema que a defesa deve suscitar cedo.
Por que importa
A imputação de organização criminosa altera o regime de prisão preventiva, o cálculo da pena e a possibilidade de acordo. Para a defesa, a distinção entre concurso de agentes e organização criminosa, que exige estrutura ordenada e divisão de tarefas, é a primeira linha de trabalho, assim como a discussão sobre a autonomia da lavagem em relação ao estelionato antecedente.
Próximos passos
- Audiência de custódia e definição sobre a conversão da prisão.
- Definição da competência entre a Justiça do Rio Grande do Sul e a Justiça Federal.
- Eventual oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.