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Crime organizado ★★★★★

Justiça decreta prisão preventiva de mais quatro acusados na morte do advogado Rodrigo Crespo

Gaeco do MPRJ aponta disputa pelo mercado de apostas online como motivação; três executores já foram condenados pelo júri a 30 anos cada

Agência Brasil · publicado em 25/08/2026 ·edição de 25/08
Justiça decreta prisão preventiva de mais quatro acusados na morte do advogado Rodrigo CrespoReprodução Agência Brasil (CFTV/Redes Sociais)

Resumo

A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de mais quatro pessoas denunciadas pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro por participação na morte do advogado Rodrigo Crespo, sócio do escritório Marinho & Lima Advogados, morto a tiros em 26 de fevereiro de 2024 no centro do Rio, perto da sede da OAB-RJ. Os três executores diretos já haviam sido julgados pelo Tribunal do Júri e condenados a 30 anos de prisão cada, em março deste ano.

Contexto

Segundo a denúncia do Gaeco, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como uma das lideranças da chamada nova cúpula do jogo do bicho, teria encomendado o assassinato por ver risco a seus interesses na exploração do mercado de apostas online, as bets, área em que Crespo buscava investir e já procurava financiadores. Adilsinho estava preso desde fevereiro deste ano, e o mandado deste processo foi cumprido em 20 de agosto; no mesmo dia foi cumprido o mandado contra Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o Motinha, apontado como responsável pela vigilância da vítima nos dias anteriores ao crime. Nesta segunda-feira, 24 de agosto, a Polícia Civil cumpriu mandado contra o policial militar da ativa Renato Franco Lopes, o Pitbull, lotado no 15º Batalhão de Polícia Militar, em Duque de Caxias, apontado como apoio operacional que monitorou a vítima até o momento do crime. Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, também denunciado por apoio operacional, segue foragido.

Argumentos

  • Segundo o Gaeco, o motivo do crime foi a disputa pelo controle do mercado de apostas online, setor historicamente dominado pelos bicheiros.
  • A denúncia individualiza a conduta de cada um dos quatro novos denunciados: vigilância, apoio operacional e monitoramento da vítima.
  • Os três executores diretos já foram julgados e condenados pelo Tribunal do Júri a 30 anos de prisão cada, em março de 2026.

Fundamento

O juízo da 3ª Vara Criminal, ao receber a denúncia do Gaeco por homicídio qualificado, determinou a manutenção de Adilsinho em presídio federal de segurança máxima pelo prazo de três anos e decretou a suspensão do exercício da função pública e do porte de arma de Renato. Segundo o Ministério Público, a análise de evidências técnicas situou Renato e Rafael no local do crime e em pontos do trajeto do veículo usado na fuga, além de um sítio usado por Rafael como esconderijo.

Consequência prática

Com a nova denúncia recebida, o caso passa a ter sete pessoas apontadas judicialmente por participação no homicídio: os três executores já condenados pelo júri e os quatro novos denunciados, presos preventivamente ou foragidos.

Por que importa

O caso mostra como a investigação de um homicídio de encomenda pode avançar, meses depois da condenação dos executores, até a cadeia de mando e apoio, quando a apuração técnica, como geolocalização e trajeto de veículo, sustenta a denúncia contra quem não disparou. Para a advocacia criminal, é lembrete de que a prisão preventiva decretada contra participação indireta em crime de mando exige fundamentação concreta que individualize a conduta de cada denunciado, distinta da autoria material.

Próximos passos

  • Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, segue foragido e procurado pela Justiça.
  • Os quatro novos denunciados ainda serão submetidos a instrução processual; como réus, têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência até o trânsito em julgado.