Pular para o conteúdo
Processo penal ★★★★★

Juíza revoga tornozeleira e domiciliar por ver antecipação de pena em cautelar mantida sem denúncia

CNN Brasil · 02/08, 11h12 ·edição de 02/08
Juíza revoga tornozeleira e domiciliar por ver antecipação de pena em cautelar mantida sem denúnciaReprodução CNN Brasil

Resumo

A juíza Paula Regina Schempf Cattan revogou a prisão domiciliar e o monitoramento por tornozeleira eletrônica impostos a Karen de Moura Tanaka Mori, investigada por lavagem de dinheiro e associação criminosa e apontada pela investigação como operadora de rede de lavagem ligada ao PCC na Baixada Santista.

Contexto

A investigação começou em 2023, em Praia Grande. A investigada foi indiciada em novembro de 2025. Até a decisão, nenhuma denúncia havia sido oferecida, ou seja, não há ação penal instaurada e ela não é ré.

Argumentos

  • Decisão: a manutenção prolongada de cautelares gravosas sem oferecimento de denúncia configura antecipação de pena, incompatível com a natureza instrumental das medidas do artigo 319 do CPP.
  • Investigação: sustenta que a investigada movimentou valores milionários de origem no tráfico.
  • Defesa: afirma que a inocência será demonstrada caso venha a ser oferecida denúncia.

Fundamento

Medidas cautelares são instrumentais e provisórias: existem para garantir a instrução, a aplicação da lei penal ou a ordem pública durante o processo. Quando se prolongam por anos sem que a acusação sequer se materialize, deixam de ser cautelares e passam a operar como pena antecipada, o que colide com a presunção de inocência.

Consequência prática

Permanecem medidas mais brandas: entrega do passaporte à Polícia Federal em cinco dias, proibição de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial e comparecimento mensal em juízo. A investigação segue em curso.

Por que importa

A decisão nomeia um problema difuso e pouco enfrentado: cautelares que se eternizam porque ninguém as revisa. O raciocínio da proporcionalidade temporal é aplicável a uma quantidade grande de casos em que o investigado convive com restrições por anos sem nunca ter sido acusado formalmente.

Próximos passos

  • O Ministério Público pode recorrer da revogação.
  • A investigação prossegue; eventual denúncia futura poderá ensejar novo pedido cautelar, com fundamentação atualizada.