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Segurança pública ★★★★★

Dois seguranças de rua se entregam à polícia por espancamento que matou ciclista em Copacabana

A delegacia informou que os quatro suspeitos devem responder por homicídio triplamente qualificado; dois entregadores continuam procurados

Agência Brasil · 12ª DP do Rio de Janeiro · publicado em 21/08/2026 · agressão em 11/08 e morte em 12/08 ·edição de 23/08
Dois seguranças de rua se entregam à polícia por espancamento que matou ciclista em CopacabanaReprodução de imagem de câmera de segurança, via Agência Brasil

Resumo

Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias entregaram-se à polícia na quinta-feira, 20 de agosto. Segundo a apuração, a vítima foi agredida por cerca de nove minutos, com golpes de porrete na cabeça e chutes, depois de ser abordada sob a suspeita, sem qualquer prova, de ter furtado a bicicleta que conduzia, pertencente à irmã.

Contexto

O ciclista havia saído de casa em Botafogo na noite de 11 de agosto e foi abordado em Copacabana. A vítima tinha transtorno psicológico e respondeu de forma truncada quando questionada sobre a bicicleta. Ficou desacordada e foi socorrida cerca de trinta minutos depois pelos bombeiros, morrendo na madrugada de 12 de agosto no Hospital Municipal Miguel Couto. A causa da morte registrada foi traumatismo craniano e hemorragia interna. Dois entregadores que teriam participado das agressões seguem procurados.

Argumentos

  • Autoridade policial: motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima estão presentes e qualificam o homicídio.
  • Ponto aberto à defesa: a individualização das condutas entre os quatro apontados ainda não foi feita, e dela depende a imputação de cada um.

Fundamento

As qualificadoras anunciadas pela autoridade policial são o motivo torpe, o meio cruel e o recurso que impossibilitou a defesa da vítima, previstas no artigo 121, parágrafo 2º, do Código Penal. Homicídio doloso é crime de competência do Tribunal do Júri, de modo que a definição da capitulação será revista na denúncia, no recebimento e, sobretudo, na decisão de pronúncia.

Consequência prática

A investigação segue na 12ª DP, com dois suspeitos ainda não localizados. A capitulação policial não vincula o Ministério Público nem o juízo.

Por que importa

O caso reúne dois temas que a advocacia criminal encontra com frequência: a abordagem privada baseada em suspeita sem lastro, que não confere a particular qualquer poder de investigação ou interrogatório, e a vulnerabilidade da vítima com transtorno psicológico, elemento que costuma ser decisivo na discussão sobre o recurso que dificultou a defesa. Do lado da defesa dos investigados, a distinção entre autoria e participação e a delimitação do domínio do fato entre os quatro apontados serão o eixo do trabalho.

Próximos passos

  • Conclusão do inquérito e oferecimento de denúncia pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.
  • Localização dos dois entregadores procurados e a respectiva oitiva.