Diretor-geral da PF nega a Fachin monitoramento ilegal de Mendonça e defende relatórios da corporação
Em manifestação enviada nesta sexta ao presidente do STF, Andrei Rodrigues diz que os relatórios de inteligência sobre o ministro André Mendonça vieram de determinação de Alexandre de Moraes e nega qualquer vigilância clandestina, no rito que decide sua permanência no cargo em sessão marcada para terça-feira.
Lula Marques/Agência BrasilResumo
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, manifestação em que nega "qualquer monitoramento ilícito" do ministro André Mendonça e sustenta que os relatórios de inteligência questionados são "análises regulares", produzidas por determinação do ministro Alexandre de Moraes, sem vigilância clandestina ou coleta invasiva de dados.
Contexto
Na quarta-feira (9/9), Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, sob a alegação de irregularidades nos relatórios e monitoramento indevido do próprio ministro. Horas depois, Fachin suspendeu tanto essa decisão quanto a reintegração determinada em sentido contrário, mantendo os dois no cargo até que o Plenário resolva o conflito, e abriu prazo para que Andrei Rodrigues se manifestasse nos autos antes do julgamento.
Argumentos
- PF: relatórios são análises de inteligência regulares, feitas por ordem de Moraes, sem vigilância clandestina.
- PF: anonimato dos analistas segue o Decreto 8.793/2016, dever de proteção da atividade de inteligência.
- Mendonça: os relatórios revelariam monitoramento indevido de ministro do STF, justificando o afastamento preventivo.
Fundamento
Rodrigues sustenta que os documentos têm autoria institucional regular, resultam de cumprimento de ordem judicial de Moraes e não configuram vigilância clandestina. Diz ainda que a ausência de nomes de analistas nos relatórios decorre do dever de proteção previsto no Decreto 8.793/2016, e não de anonimato irregular.
Consequência prática
A manifestação entra nos autos da Pet 16.662 como subsídio para a sessão plenária extraordinária marcada para 15 de setembro, quando o STF decide se mantém Andrei Rodrigues e Leandro Almada na direção da PF e da Diretoria de Inteligência.
Por que importa
A crise expõe o choque entre dois ministros do STF sobre o uso de relatórios de inteligência da PF para monitorar autoridades, e o desfecho definirá se o comando da corporação muda no meio da apuração da Operação Compliance Zero, com reflexo direto sobre a condução de inquéritos que também miram o próprio Mendonça e o próprio Moraes.
Próximos passos
- Sessão plenária extraordinária presencial em 15/09/2026 decide a permanência de Andrei Rodrigues e Leandro Almada.
- Manifestações de Moraes, Mendonça e do procurador-geral Paulo Gonet, no mesmo prazo, também instruem o julgamento.