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Comissão especial da maioridade penal se instala sob arguição de cláusula pétrea

O colegiado analisará a PEC 32/15 e a PEC 8/26. Relator, o deputado Mendonça Filho promete abordagem técnica; o deputado Tarcísio Motta sustenta que o artigo 228 da Constituição é direito individual e não pode ser abolido por emenda.

Agência Câmara · publicado em 12/08 · instalação em 12/08/2026 ·edição de 13/08
Comissão especial da maioridade penal se instala sob arguição de cláusula pétreaReprodução Agência Câmara

Resumo

A Câmara instalou a comissão especial que analisará propostas de redução da maioridade penal. Estão em pauta a PEC 32/15, que fixa a imputabilidade aos 16 anos, a PEC 8/26, que prevê redução excepcional para crimes hediondos, e uma proposta que combina redução aos 16 com responsabilização a partir dos 12 anos.

Contexto

O artigo 228 da Constituição declara penalmente inimputáveis os menores de 18 anos, sujeitos às normas da legislação especial. Desde 2015 a discussão volta ao Congresso em ciclos, e o obstáculo jurídico é sempre o mesmo: se a inimputabilidade etária integra o núcleo de direitos e garantias individuais, ela está protegida pelo artigo 60, parágrafo 4º, IV, da Constituição, que veda emenda tendente a aboli-los.

Argumentos

  • Contra a redução: o artigo 228 seria direito individual, alcançado pela vedação do artigo 60, parágrafo 4º, IV, da Constituição.
  • A favor: os proponentes tratam a idade de imputabilidade como opção de política criminal, alterável por emenda.

Fundamento

O deputado Tarcísio Motta sustentou que a inimputabilidade do artigo 228 é direito individual protegido por cláusula pétrea e citou compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria de infância, além do risco de agravamento da situação prisional. O relator, deputado Mendonça Filho, propôs conduzir o trabalho a partir de boas práticas internacionais.

Consequência prática

A tramitação define se o mérito chega ao Plenário. Se uma emenda for aprovada, a controvérsia sobre a cláusula pétrea migra para o Supremo em controle concentrado.

Por que importa

A comissão fixa a agenda de um debate que atinge diretamente o sistema socioeducativo e a defesa de adolescentes. Acompanhar o texto do relatório desde o início é o que permite antecipar o desenho da proposta que efetivamente irá a voto.

Próximos passos

  • Apresentação do parecer do relator, com votação prevista na comissão e no Plenário até dezembro de 2026.

Fontes