Justiça Federal condena dois por corrupção e lavagem na obra do Hospital Regional de Toledo (PR)
Ex-fiscal de obras da prefeitura e sócio de construtora foram condenados a 11 anos de reclusão; sentença ainda cabe recurso
Reprodução MPFResumo
A Justiça Federal condenou um ex-fiscal de obras da prefeitura de Toledo (PR) e o sócio administrador de uma construtora a 11 anos de reclusão em regime fechado por corrupção e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Regional de Toledo.
Contexto
Segundo o MPF, o ex-servidor aprovou reajustes de até 55% em itens cuja variação de custo real girava em torno de 11%, e recebeu cerca de R$ 66 mil em propina paga pelo sócio da construtora, em parte via depósitos fracionados.
Argumentos
- O MPF sustentou que o superfaturamento apurado superou em muito a variação de custo real do material
- A absolvição da terceira ré por insuficiência de provas reforça a exigência de prova robusta de dolo para condenação por lavagem
Fundamento
A sentença fixou reparação mínima de R$ 1,16 milhão, corrigida para cerca de R$ 2,23 milhões em agosto de 2026, além de 260 dias multa e perda da aposentadoria do ex-servidor. Uma terceira ré foi absolvida por falta de provas.
Consequência prática
A condenação é de primeira instância: os dois condenados podem recorrer em liberdade, e a decisão ainda não transitou em julgado.
Por que importa
O caso ilustra como o fracionamento de depósitos e o superfaturamento em obra pública seguem sendo linha prioritária de investigação do MPF em contratos de saúde, com reflexo direto em teses de defesa sobre autoria e dosimetria em processos de corrupção e lavagem.
Próximos passos
- Os condenados podem recorrer ao TRF-4
- A reparação mínima fixada pode ser objeto de execução cível independente do trânsito em julgado penal