Pular para o conteúdo
Crimes e penas ★★★★★

Análise mapeia para onde migrou a cooperação sul-americana contra o tráfico ilícito de bens culturais

Com o esvaziamento de Mercosul e Unasul como fóruns de integração, o texto investiga se as redes de proteção do patrimônio foram desmontadas ou apenas mudaram de canal institucional

ConJur · publicado em 07/08/2026 ·edição de 07/08
Análise mapeia para onde migrou a cooperação sul-americana contra o tráfico ilícito de bens culturaisReprodução ONU

Resumo

Alice Lopes Fabris retoma artigo que publicou em 2017 sobre as dinâmicas globais e regionais de combate ao tráfico ilícito de bens culturais e pergunta se as redes de cooperação sul-americanas foram desmanteladas ou migraram para outros canais institucionais.

Contexto

O estudo original nasceu como resposta a atores do mercado de arte do Norte Global que atribuíam a responsabilidade pelo tráfico aos países de origem dos bens, acusando Estados sul-americanos de incapacidade fiscalizadora ou de pedir restituição por ressentimento pós-colonial.

Argumentos

  • A tese central é que a responsabilidade pelo tráfico não pode ser atribuída apenas aos países de origem, porque a demanda se organiza no mercado comprador.
  • A questão em aberto é se cooperação por canais informais mantém a eficácia sem a previsibilidade que os tratados oferecem.

Fundamento

O trabalho de 2017 se apoiava em três pilares: tratados multilaterais e suas limitações, ação de instituições regionais como Mercosul e Unasul, e acordos bilaterais com práticas efetivas de repatriamento, entre elas a Declaração de Buenos Aires do Mercosul e a criação de bases de dados compartilhadas. O cenário geopolítico seguinte esvaziou essas instituições.

Consequência prática

O texto sustenta que a região combinava diplomacia preventiva, harmonização legislativa e repatriamentos apoiados em solidariedade entre nações, e agora examina que estruturas passaram a cumprir esse papel.

Por que importa

Tráfico de bens culturais é crime transnacional, e sua persecução depende de cooperação jurídica internacional, de auxílio direto e de reconhecimento de decisões estrangeiras. Quando os canais formais se esvaziam, a prova migra para pedidos informais, com efeitos diretos sobre a validade do material que chega ao processo penal brasileiro.

Próximos passos

  • Acompanhar a íntegra da análise e os fóruns que assumiram o papel de Mercosul e Unasul na proteção do patrimônio.

Fontes