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Crimes econômicos

AGU cobra R$ 1 bilhão de 17 plataformas de apostas e pede restituição em dobro a apostadores com ludopatia

A ação civil pública foi protocolada na Justiça Federal em Pernambuco e imputa às empresas o custo do tratamento no SUS.

Agência Brasil · publicado em 28/09 ·edição de 29/09
AGU cobra R$ 1 bilhão de 17 plataformas de apostas e pede restituição em dobro a apostadores com ludopatiaReprodução Agência Brasil

Resumo

A Advocacia-Geral da União ajuizou ação civil pública contra 17 plataformas de apostas esportivas, na Justiça Federal em Pernambuco, para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde com o tratamento dos danos causados pelos jogos on-line. O pedido de dano moral coletivo é de, no mínimo, R$ 1 bilhão.

Contexto

A AGU sustenta que os gastos do SUS superam a arrecadação tributária obtida com as apostas, estimada em cerca de R$ 50 milhões. A ação foi protocolada no mesmo dia em que as associações do setor pediram ao STF a suspensão da MP que proibiu as bets.

Argumentos

  • AGU: há nexo entre o desenho das plataformas e o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, com ansiedade, quadros depressivos e transtorno do jogo.
  • Setor: a responsabilização por dano coletivo pressupõe demonstrar o nexo entre cada plataforma e o custo agregado do SUS, o que a petição trata de forma global.

Fundamento

O argumento central é de externalidade: as empresas privatizam o proveito da captação financeira de milhões de apostadores e transferem ao SUS e à sociedade o custo orçamentário do adoecimento coletivo. A AGU descreve o modelo de negócio como estruturado para maximizar tempo de engajamento e volume de apostas, com mecanismos tecnicamente equivalentes aos de jogos de azar de potencial reconhecido de dependência.

Consequência prática

Além da indenização coletiva, a AGU pede a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia, o que abre uma via de recomposição individual dentro da ação coletiva.

Por que importa

A peça constrói, em juízo cível, o mesmo acervo probatório que sustentará as futuras imputações penais se o PL 5.477/2026 for aprovado: desenho do produto, uso de dados de comportamento e direcionamento de campanhas a perfis vulneráveis. Quem defende operadores precisa acompanhar a instrução aqui, porque o que for reconhecido nesta ação chegará depois como prova emprestada.

Próximos passos

  • Citação das 17 rés e eventual apreciação de tutela de urgência pela Justiça Federal em Pernambuco.
  • Discussão de competência, dado que as rés se espalham por diversas unidades da federação.

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